Que é HIPNOSE CLINICA?

Importante é saber o que se quer

INTRODUÇÃO

Estamos testemunhando florescer uma sofisticação na ciência da mente e, especialmente, na elucidação de como a psique se inter-relaciona com o corpo físico. É neste domínio que a hipnose encontra seu nicho de direito como uma ciência que trata quase exclusivamente com interações a mente / corpo, por esta razão, a hipnose tem tido uma trajetória histórica fascinante.

Historicamente, os fenômenos hipnóticos têm sido interpretados de maneiras diferentes através da “cor do cristal” da ideologia de cada cultura. Nos templos gregos do sono, por exemplo, a hipnose foi vista como um estado de sono que facilitava a comunicação com as divindades (Zilboorg, 1941), na época de Mesmer, foi conceituada como uma condição agitada decorrente da absorção das forças cósmicas (Crabtree, 1993). Fenômenos hipnóticos não são facilmente mensuráveis ou apreendidos de forma quantificáveis. Eles não são nem colônias bacterianas que se podem contar em uma placa de agar nem fenômenos hipnóticos capazes de uma delimitação exata, como seria um ritmo cardíaco. Em certa medida, estes fenômenos podem ser medidos através de qualquer um dos muitos testes psicológicos de aferição de sugestionabilidade, susceptibilidade hipnótica, ou a aptidão para imagens (Balthazard 1993, Campo 1965, Bowers, 1986). Nós mesmo temos adaptados um teste de sugestibilidade nos protocolos do Hospital das Clínicas. Este teste original foi feito na Universidade Waterloo-Standord e ajustado por Portugal, e o mesmo acomodamos a nossa costumes e adaptamos para o Brasil. Estes testes podem ser administrados antes ou depois de hipnose. Os testes também podem centrar-se os parâmetros fisiológicos expressados através do electroencefalograma (EEG), ou o metabolismo das vias cerebrais (Graffin 1995). No entanto, o fator de complexidade em hipnose reside no fato de que, as suas manifestações tendem a ser subjetivas, tanto quanto objetivas, expressandose no contexto global da pessoa (Mott 1995).

A EXPERIÊNCIA DA HIPNOSE

Embora exista um acordo geral sobre os fenômenos psicológicos e fisiológicos provocados através da hipnose, existem muitas controvérsias sobre os mecanismos pelos quais elas ocorrem (Kirsh, 1995).

Os participantes variam muito em suas experiências durante a hipnose (Hilgard 1965, Freundlich 1974). Certos sentimentos se destacam como comumente encontrados, enquanto outros permanecem segundo sua idiossincrasia ou com raras manifestações (Twenlow 1982). Em situações clínicas, algumas pessoas saem da experiência hipnótica surpresas ao ter sentido um estado de espírito tão diferente de seu estado normal de vigília, enquanto outros falam como se nada de anormal tivesse acontecido. No primeiro caso, o impacto vívido da experiência servirá para facilitar ainda mais o trabalho hipnótico através da convicção do sujeito que algum fenômeno tangível, de fato, ocorreu. Apesar de todas as sensações novas, neste último caso, os indivíduos podem, para sua surpresa, ser capazes de mostrar uma ampla gama de fenômenos hipnóticos. Por exemplo, uma mulher com sobrepeso excessivo em seus trinta anos, que tinha um longo histórico de tentativas fracassadas em seguir regimes alimentares, saiu de sua primeira sessão hipnótica desapontada. Ela imaginou que teria experimentado um sentimento de consciência durante o transe, enquanto que, na verdade, alcançou um nível um pouco maior de relaxamento. Com o tratamento continuado e sugestões foram oferecidas a se seguir com facilidade um planejamento nutricional, ela expressou surpresa. Apesar da ausência de mudanças subjetivas durante sessões de hipnose, ela foi capaz de atualizar a mensagem das sugestões aparentemente de forma automática. Durante as fases mais profundas da experiência hipnótica, os participantes podem ser convidados a falar ou a perceber como eles se sentem. As respostas são geralmente faladas em tom monótono, lentamente, e com pausas. Uma consulta feita durante a hipnose, mesmo que não assiduamente respondidas no tempo, faz com que seja mais fácil para os relatórios mais detalhados para ser compartilhada após a hipnose porque algum grau de observação a auto-consciência terá sido ligado.

Durante a hipnose, os movimentos e os trabalhos internos do corpo muitas vezes se sentem desacelerados. Pode haver uma sensação de inércia ou uma sensação de imobilidade; se os movimentos são feitos, têm uma tendência a ser realizados menos frequentemente, e são experimentados internamente como se fosse em “câmara lenta”. Há frequentemente uma sensação generalizada de peso confortável permeando a neuromusculatura. Esta sensação, que caminha lado a lado com o apaziguamento fisiológico, pode ser procurada e sugerida durante a indução, porque sua presença tende a convencer o participante que alguma mudança interna real, de fato, aconteceu. Uma das características da hipnose é langor fisiológico, mas nem todos os fenómenos hipnóticos ocorrem neste contexto (Malort 1984). Embora na hipnose médica que tendem a sugerir aos nossos pacientes uma resposta de relaxamento global, temos feito estudos com EMT (Estimulação Magnetica Transcraniana), Instituto Psiquiatria do HC FMUSP, onde temos provocados, sob hipnose, em pacientes com epilepsia, o mesmo quadro de crise epilética, sem ter modificação elétrica cerebral. Em experiências com pacientes com HPN, temos feitos trials, com medições de tempo no percurso, o que antes da hipnose leva 90 segundos, conseguimos que se realize em menos de 40 segundos. É possível, por exemplo, para apresentar sugestões póshipnóticas com a finalidade de melhorar o desempenho atlético, o que requer grande concentração e esforço físico. O atleta, durante o transe, visualiza-se efetivando uma performance com “pico de maestria”. Uma vez que essas imagens são incorporadas na memória post hipnoticamente, eles podem exercer uma influência positiva sobre o desempenho em si (Liggett 1993, Stanton 1994). Nós treinamos uma tenista (Vanessa Menga), que saiu Medalha Ouro no Pan-americano de Winnipeg, Canadá.
A literatura contém muitos relatos de alterações fisiológicas associadas à hipnose (Sturgis 1990). A maioria dos experimentos que supostamente mostram uma relação correlativa a variáveis fisiológicas saem equivocadamente na replicação ou metodologicamente imperfeitas. É comum observar variabilidade cardíaca durante a fase inicial de indução hipnótica (DeBenedittis 1994), o que pode ser devido à sensação de novidade sobre a próxima experiência, especialmente se for uma primeira experiência. Esta resposta é seguida por um ritmo regular como retardando as fases mais profundas da hipnose quando são alcançadas (Harris, 1993). Nós temos experiências feitas no InCor (FMUSP), onde um paciente com batimento cardíaco normal de 70, foi induzido sob hipnose a um estresse frente a uma situação (virtual) de uma montanha russa com loopings, em menos de 15 segundos disparou para 118 batimentos, logo sob transe se lhe da uma sugestão de “total calma e tranquilidade”, baixando para 67 batimentos (menos dos apresentados no exame normal), dentro do minuto total, desde o começo até o final. Mais rápido que qqr. sublingual. Mudança a “vontade” de um musculo liso, fato comprovado com uso da hipnose. Usamos técnicas, em Pronto Socorro do HCFMUSP, onde provocamos diminuição de batimentos cardíacos apresentados por um ataque de taquicardia, estimulando o Nervo Vagal, com técnicas de transe hipnótico fisiológico. Conseguimos reduzir o tempo de hemorragia, casos constatados em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos odontológicos com o auxílio de hipnoanestesia. Provocando a mesma sensação (visual na pele) de uma isquemia (APCD São Paulo). Assim como vasodilatação e aumento da circulação para as áreas de outro modo mal irrigadas também têm sido relatadas em resposta a instruções hipno anestésicas. (Rossi, 1997). Estudos longitudinais sobre redução da pressão arterial através da hipnose tiveram resultados irregulares, dependendo da abordagem de pesquisa. No entanto, por meio de treinamento em auto-hipnose (Deabler 1973) e, especialmente, com a integração de hipnose com apoio biofeedback, hipertensos têm sido capazes de modular e até mesmo normalizar suas leituras de pressão arterial (Friedman, 1977). A diminuição da taxa de respiração podem ser observadas em indivíduos dentro das dimensões mais profundas da experiência hipnótica (Sarbin 1956). A respiração é, então, mais propensa a mostrar menor amplitude e ser expressada mais abdominalmente. Por outro lado, a freqüência respiratória, previsivelmente, é levada a aumentar quando as cognições de medo, raiva, dor ou atividade muscular são extraídas (Dudley 1964). Uma série de alterações metabólicas foram relatados para ocorrer após sugestões hipnóticas. Entre eles, estão alterações nos níveis de glicose no sangue, a taxa metabólica basal, metabolismo do cálcio, e saturação de oxigênio (Lovett-Doust 1953). Há também relatos de que a temperatura do corpo pode ser levantada ou baixada, dependendo da sugestão apresentada (Margolis 1983). A experiência hipnótica tem sido abordado através de muitos canais fisiológicos, incluindo secreções gástricas (Klein, 1989), o fluxo sanguíneo cerebral (Diehl 1989), consumo de oxigênio cerebral (Malolo 1969), e a atividade electro dermal (Boucsein 1992). Poucos estudos endócrinas foram realizados. Liberação de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) pela glândula pituitária pode ser afetada diretamente por estímulos emocionais, e alguns pesquisadores relataram uma queda nos títulos de cortisol plasmático a níveis significativamente baixos logo após a indução hipnótica (Sachar 1964). Funções cutâneas, ocasionalmente mostrado sensibilidade acentuada a influência hipnótica (Burgess, 1996). Uma mudança repentina na tensão do cérebro que é iniciado por um estímulo externo é referido como um potencial evocado (DAVIC-Jefdic 1993, Jutai 1993). Algumas experiências parecem mostrar uma diminuição de potenciais evocados visuais em hipnose (Banyai 1981). Numerosos estudos têm tentado analisar os padrões de EEG em hipnose (DePascalis 1993). Alguns pesquisadores descobriram aumento do ritmo theta após a indução hipnótica (Tebecis 1975). Vários estudos têm demonstrado um aumento da densidade de onda alfa durante a hipnose (Melzack, 1975). A Hipnose em sua ação relaxante toca todas as dimensões do corpo e da psique. Neste sentido, pode-se dizer que a hipnose é o mais potente agente relaxante não farmacológico conhecido da ciência. Descrições da experiência subjetiva do transe hipnótico, muitas vezes incluem alterações na percepção do tempo e do fluxo de sensações de remoção relativa dos laços que ligam o indivíduo à realidade. No entanto, durante a hipnose, a pessoa ainda pode sentir, com intensidade variada, a presença do hipnoterapeuta, e com isso, uma sensação de segurança e confiança. Usamos comumente o transe hipnótico em pacientes que sofrem de claustrofobia e que resistem de entrar em aparelhos de RMf (ressonância magnética funcional). O mias ético e correto é ensinar ao paciente as técnicas de Auto Hipnose. A auto hipnose expande o privilégio de autonomia (Garver, 1984).

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